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A ACE é uma associação sem fins lucrativos criada para dar apoio ao trabalho de jornalistas estrangeiros sediados em Brasil. Mais de 30 nacionalidades já passaram pela associação, entre jornalistas que

Em 2015, reuniu 63 associados efetivos, de 23 nacionalidades, que trabalhavam para a mídia de 21 países de Europa, Asia e América.

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Como se tornar um membro da ACE: 

1. Realize o seu depósito na conta da associação:
Banco: Itaú
Agência: 0183
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CNPJ: 07.852.386/0001-09
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tesoureiro@correspondentes.org.br
Assunto: COMPROVANTE ACE 2018-2019

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Modelo da carteirinha

 

Como membro da ACE você tem direito a:

– Participação nas nossas entrevistas coletivas, viagens e eventos sociais;
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– Acesso completo ao nosso novo website com as últimas informações;
– Inclusão no nosso mailing, com lançamentos interessantes;
– Participação nas assembleias e um voto nas atas e eleições;
– Descontos para atividades culturais e cursos na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)

Valor de anuidade

Correspondentes em São Paulo ……………………. R$ 180

Correspondentes fora de São Paulo ………………. R$ 90

Correspondentes no Rio de Janeiro: contate os nossos colegas de www.acie.org.br

 

Ponte Rio – São Paulo

As Associações de Correspondentes do Rio de Janeiro e de São Paulo formalizaram um acordo de cooperação na forma de participação dos associados em ambas as instituições.

1) Correspondentes estrangeiros devem se associar à associação presente na sua cidade de residência, seja São Paulo ou Rio de Janeiro;

2) Membros residentes em outros estados poderão pagar metade da anuidade, R$ 90,00 (noventa reais) por ano, para receber às informações e atividades das duas associações  (coletivas organizadas, viagens, cafés da manhã…)

3) O valor da anuidade dará o direito de receber a carteirinha da associação de São Paulo.

Contato ACIE – Rio de Janeiro: com acie@acie.org.br

Contato ACE – São Paulo: contato@correspondentes.org.br

Rio de Janeiro/São Paulo, 28 de agosto de 2018.

SUA MENSAGEM





Olhando no olho da tempestade: as rebeliões no presídio de Alcaçuz

Ficando uma semana do lado de fora de uma prisão no nordeste do Brasil foi um lembrete de que nós jornalistas contamos melhor a história estando presentes no local onde acontece a notícia.

Como jornalistas estrangeiros, tendemos a ficar nas cidades grandes, por isso temos uma desvantagem quando notícias de alcance internacional acontecem em lugares distantes e isolados. Somos obrigados a confiar em fontes governamentais e temos dificuldade de ouvir outros atores na história.

Cheguei à Penitenciária Estadual de Alcaçuz na madrugada de 14 de janeiro, depois da noite em que 26 prisioneiros foram massacrados. Durante os dias que se seguiram, mais rebeliões aconteceram, os guardas dispararam munição no presídio e alguns de nós jornalistas testemunhamos tudo isso como um gigantesco jogo de estratégia de uma colina próxima. Como vídeo jornalista, tive a oportunidade rara de mostrar este microcosmo da sociedade brasileira e as suas lutas, para um mundo que estava distraído com a inauguração de posse de Donald Trump em Washington.

Esta é a segunda vez que tentei escrever sobre o meu trabalho para AFP durante uma semana de novos confrontos e a luta do governo para conter a crise. Toda vez que me sento para organizar os meus pensamentos, muitas narrativas e perguntas derramam para fora.

Numa era de desconfiança, em quem acreditamos? Eu esforcei para dar sentido ao clamor de histórias conflitantes. O governo deu um número de vítimas suspeitoso, mesmo depois que eu testemunhei mais lutas dentro do presídio que deveriam ter aumentado a cifra. Parentes dos presos disseram que não estavam sendo alimentados. Em algum momento, eles insistiram que outro massacre iria acontecer. Tudo isto poderia não ser verdade. Muita informação não chegou às nossas reportagens porque eu simplesmente não consegui verificar as reivindicações. É melhor pecar por precaução.

Estar presente no local me lembrou do sofrimento das pessoas comuns. Vários dias após os primeiros assassinatos ainda não havia uma lista das vítimas. Conheci uma mulher soluçando – ela tinha reconhecido o corpo do marido em uma foto enviada pelo Whatsapp. Fiquei impressionado com o quanto essa experiência deveria ser traumática para aqueles presos lá dentro e caçados como cães, e para as suas famílias lá fora.

Se os meus amigos e colegas já estavam preocupados com o meu trauma secundário, como será para aqueles que não conseguem escapar deste mundo em Natal, em Manaus, em Boa Vista? Vimos o número de prisões superlotadas, ouvimos especialistas dizerem que essa superpopulação só está criando um exército para o mundo do tráfico de drogas.

Os jornalistas locais foram uma grande e generosa ajuda: com informações, com fontes, com camaradagem. Nossas reportagens têm muito mais poder se houver integração nos níveis local, nacional e internacional. A espinha dorsal para o que chega até os nossos veículos lá fora, é o esforço de um local que tem os contatos. Esses jornalistas locais ainda estão lá, e estão me enviando links todos os dias sobre os desenvolvimentos em Alcaçuz, já muito tempo depois que eu fui forçado a seguir em frente.

Johannes Myburgh, jornalista sul-africano, é vídeo correspondente pra AFP no Brasil

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