Há quatro décadas, reportando de São Paulo para o mundo

FAÇA PARTE DA ACE

A ACE é uma associação sem fins lucrativos criada para dar apoio ao trabalho de jornalistas estrangeiros sediados em Brasil.

Em 2015, reúne 63 associados efetivos, de 23 nacionalidades, que trabalham para a mídia de 21 países de Europa, Asia e América.

Você mora no Brasil e trabalha para a mídia estrangeira? Junte-se a nós!

Como membro da ACE você tem direito a:

– Participação nas nossas entrevistas coletivas, viagens e eventos sociais;
– Carteirinha de imprensa da ACE;
– Acesso completo ao nosso novo website com as ultimas informações;
– Inclusão no nosso mailing, com lançamentos interessantes e nosso Newsletter quinzenal;
– Participação nas assembleias mensais e um voto nas atas e eleições;
– Descontos para atividades culturais.

Valor de anuidade

Correspondentes em São Paulo ……………………. R$ 360

Correspondentes fora de São Paulo ………………. R$ 180

Correspondentes em Rio de Janeiro: contate os nossos colegas de www.acie.org.br

 

Ponte Rio – São Paulo

As Associações de Correspondentes do Rio de Janeiro e de São Paulo formalizaram um acordo de cooperação na forma de participação dos associados em ambas as instituições.

1) Correspondentes estrangeiros devem se associar à associação presente na sua cidade de residência, seja São Paulo ou Rio de Janeiro;

2) Membros associados poderão pagar um valor simbólico de R$ 50,00 (cinquenta reais) por pessoa por ano, para também ter acesso às informações e atividades da associação da outra cidade. Tal como: acesso às informações por e-mail, coletivas organizadas, viagens, cafés da manhã, uso eventual da sede da associação como espaço de trabalho e etc.;

3) O valor simbólico não dará o direito de receber a carteirinha da outra associação;

4) Membros de fora de São Paulo ou Rio de Janeiro (capital) poderão escolher onde se associar com um desconto de 50% no valor da anuidade;

5) Os associados que por ventura estejam associados em uma cidade que não seja a de sua residência deverão fazer a migração a partir de janeiro de 2016;

6) Aqueles que desejarem participar de ambas as instituições poderão fazê-lo através do pagamento integral da anuidade (com direito a carteirinha).

7) Os membros da ACE que têm interesse em se associar no Rio pra o valor simbólico, podem entrar em contato com acie@acie.org.br. Os membros da ACIE podem entrar em contato com tesoureiro@correspondentes.org.br.

Rio de Janeiro/São Paulo, 01 de outubro de 2015.

SUA MENSAGEM





Um país ideal, para falar sem medo

Eu decidi deixar o Egito por motivos de segurança em janeiro de 2015. A perseguição contra cidadãos, ativistas e jornalistas da oposição síria ao regime de Bashar al-Assad havia se instalado desde o golpe militar de Abdel Fattah al-Sisi, em meados de 2013.

Sabendo que a maioria dos países agora recusam vistos aos cidadãos sírios, tive que enfrentar duas únicas opções de refúgio: a mais próxima, Turquia, foi logo descartada porque a maioria da oposição islâmica síria está concentrada em tal país; decidi aceitar a mais longínqua, Brasil, que significou embarcar numa aventura.

Eu não conhecia absolutamente ninguém no Brasil, mas graças à ajuda de alguns amigos que realizaram seus contatos rapidamente, fui recebido por uma jovem síria habitante de São Paulo. Ela me apresentou a muitos jornalistas e ativistas da esquerda brasileira. Eu ainda então estava trabalhando com muitos dos jornais da oposição síria e com os alinhados à revolução árabe-síria.

A princípio, o Brasil pareceu um país ideal por várias razões. A primeira e mais evidente seria que o novo país está longe de me impor censuras como acontecia na Síria, podendo eu trabalhar livremente aqui, dizendo o que eu quiser, sem medo.

Em segundo lugar, muitos jornais árabes me convidaram a ser um correspondente – talvez por conta do baixo número de jornalistas árabes neste país. Em terceiro lugar, eu poderia estabelecer muitas amizades com pessoas que trabalham no mesmo campo, mostrando a eles meu nome de nascimento sem receios.

Finalmente, a satisfação parecia completa por ser São Paulo uma cidade aberta ao mundo, uma grande reunião de múltiplas culturas. Mas em troca eu tive alguns problemas.

O de maior importância é o linguístico, já que eu levarei muito tempo para dominar o português de forma fluente. E, apesar de frequentar aulas em ONGs que cuidam de refugiados, saber a língua local é urgente para meu trabalho, pois assim serei livre da tradução de minhas entrevistas por terceiros.

Além disso, sinto falta de uma carteira de identidade, fato que ligeiramente atrapalha meu trabalho: eu não posso abrir uma conta bancária, usando contas de amigos brasileiros para receber os pagamentos dos jornais árabes.

Outra mudança relevante foi que até ano passado eu estava escrevendo na área política – que eu adoro – e, depois da minha chegada ao Brasil, passei a cobrir os assuntos da comunidade árabe imigrada.

Eu preciso de alguma paz e estabilidade para começar a escrever um livro sobre a revolução síria e eu acho que, aos poucos, encontro esta calma em mim por aqui. Desejo também realizar um curta-metragem sobre a vida neste país, a interação do povo sírio com a sua revolução e sobre se desejam retornar à Síria depois do término da guerra.

Pessoalmente, eu retornarei à Síria depois da guerra para me reunir com minha família e, em seguida, voltarei ao Brasil porque quero continuar minha carreira. E porque eu o amo.

 

Por Victorious Bayan Shams

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