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A ACE é uma associação sem fins lucrativos criada para dar apoio ao trabalho de jornalistas estrangeiros sediados em Brasil.

Em 2015, reúne 63 associados efetivos, de 23 nacionalidades, que trabalham para a mídia de 21 países de Europa, Asia e América.

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Ponte Rio – São Paulo

As Associações de Correspondentes do Rio de Janeiro e de São Paulo formalizaram um acordo de cooperação na forma de participação dos associados em ambas as instituições.

1) Correspondentes estrangeiros devem se associar à associação presente na sua cidade de residência, seja São Paulo ou Rio de Janeiro;

2) Membros associados poderão pagar um valor simbólico de R$ 50,00 (cinquenta reais) por pessoa por ano, para também ter acesso às informações e atividades da associação da outra cidade. Tal como: acesso às informações por e-mail, coletivas organizadas, viagens, cafés da manhã, uso eventual da sede da associação como espaço de trabalho e etc.;

3) O valor simbólico não dará o direito de receber a carteirinha da outra associação;

4) Membros de fora de São Paulo ou Rio de Janeiro (capital) poderão escolher onde se associar com um desconto de 50% no valor da anuidade;

5) Os associados que por ventura estejam associados em uma cidade que não seja a de sua residência deverão fazer a migração a partir de janeiro de 2016;

6) Aqueles que desejarem participar de ambas as instituições poderão fazê-lo através do pagamento integral da anuidade (com direito a carteirinha).

7) Os membros da ACE que têm interesse em se associar no Rio pra o valor simbólico, podem entrar em contato com acie@acie.org.br. Os membros da ACIE podem entrar em contato com tesoureiro@correspondentes.org.br.

Rio de Janeiro/São Paulo, 01 de outubro de 2015.

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Fim das liberdades na Turquia

Fim das liberdades na Turquia
setembro 12, 2016 Katy Sherriff

Por nosso associado Kamil Ergin

Sou jornalista turco residente no Brasil há dez anos. Para mim, o Brasil e a Turquia são dois planetas que têm o mesmo eixo mas viajam em órbitas diferentes. Sendo único correspondente turco no país, até agora tive o privilégio de fazer comparações entre as manifestações, escândalos de corrupção, altos e baixos das duas economias.

Mas agora sou um jornalista parcialmente desempregado e desesperado graças aos últimos acontecimentos na Turquia. Como vocês devem saber, aconteceu uma tentativa de golpe fracassada no dia 15 de julho de 2016. Logo em seguida, o governo fez um contragolpe e começou os expurgos contra seus dissidentes. Fechou mais de 2 mil entidades, incluindo 151 veículos de comunicação. Mais de 100 mil pessoas foram detidas, 120 deles são jornalistas, alguns são meus amigos. Assim, a Turquia se tornou a maior prisão aberta do mundo.

Meu jornal (Zaman) já tinha sido confiscado pelo governo no mês de março de 2016. A nova administração, formada pelos interventores estatais, solicitou que eu fizesse uma autocensura para manter a colaboração. Não aceitei e decidi ajudar os pequenos jornais fundados pelos jornalistas demitidos do grupo. Assim trabalhei por mais três meses até o fechamento de todos eles pelo governo. Desejava fazer a cobertura das olimpíadas, mas não tinha mais chance, pois não existe mais algum veículo para que eu possa mandar matérias.

Apesar de problemas financeiros, não desisti do jornalismo. Abri um portal de noticias chamado Voz da Turquia e comecei a escrever em português sobre as pautas do meu país. Comecei a dirigir no Uber à noite para poder pagar as minhas contas e fazer uma produção jornalística pela manhã. Muitos colegas estão saindo da Turquia para pedir asilo político. Fugindo de um país onde há 3 milhões de refugiados sírios, estou me preparando para fazer isto também. Eu me sinto responsável por contar essa história, pois chegou a fim das liberdades na Turquia. Um caminho trilhado para a ditadura através da democracia; o ponto que chegamos na Turquia é uma frustração indefinível.

Como um jornalista que criticou o governo em diversos ocasiões, acredito que meu nome também esteja na lista de detenção. Não tenho medo de eu, individualmente, ser preso. O problema é que o estado turco se tornou um tanto mafioso neste processo de perseguição. Quando a polícia não consegue encontrar a pessoa desejada em casa eles levam esposas, pais e até filhos como reféns. Por esta razão liguei para minha mãe uma última vez, pedindo para esquecerem de mim e não mostrarem apoio caso a polícia chegue na casa onde eles moram.

Mais de 3 mil juízes e promotores foram demitidos, uma boa parte deles foi presa. Não existe mais um sistema judiciário. Os que estão presos nem conseguem achar um advogado que aceite defender eles. Pressionado pelo governo, os juízes decidem com rapidez conforme solicitado pelo poder executivo. Mais de 100 mil passaportes foram cancelados e os jornalistas foram proibidos de viajar ao exterior. A Anistia Internacional divulgou uma nota recente dizendo que há evidências concretas de torturas e estupros nas prisões. Muitos amigos na Turquia com quem conversei por telefone confirmaram esta informação.

Não é somente a mídia local, mas a imprensa internacional também está sob pressão lá. Por isso eles somente conseguem relatar os fatos baseando-se em números e notas divulgadas pelo governo. Além da ‘Mídia Ninja’, não há uma fonte local que consegue transmitir as violações de diretos humanos.

A Turquia está passando por momentos como os da Revolução Iraniana de 1979. Chegou o fim das liberdades lá e como jornalista, eu sou uma das vítimas desta mudança.